quarta-feira, 22 de abril de 2009

O que há em mim é sobretudo cansaço

O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas
Essas e o que faz falta nelas eternamente.
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada.
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser..

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto..
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo, íssimo,
Cansaço.

Álvaro de Campos

sábado, 11 de abril de 2009

Completamente em vão

Sentes que dás tudo o que tens, sentes que erras e tentas emendar com o que podes, sentes que és injustiçado(a) de mil e uma maneiras difíceis para ti de conceber. Sentes-te a pior pessoa e tentas fazer por mudar isso. O pior nunca foi tentar, o problema é sempre conseguir. Delimitas um prazo, um limite ao qual te dispões a chegar. Mas, e porque há sempre um mas, quando achas que estás a fazer uma grande coisa e não podias estar a seguir um caminho mais correcto, há sempre alguém que te faz ver o contrário. Voltas então ao ciclo vicioso e francamente ridículo do "ok, o problema está mesmo em mim". Desanimas e pões tudo em questão. Tornas-te chato(a) para os que te rodeiam e muitas vezes aqueles que não têm nada a ver são os que pagam mais pelos teus actos irracionais.

Francamente, cada vez que penso que já não podia ver mais nem pior, eis que me aparece algo a frente que teima em chatear-me.

Children see, Children do.